TRANSATLANTIC – “THE WHIRLWIND” (INSIDE OUT – 2009)
Ainda esta semana falávamos de “super-grupos” (a propósito do novo disco dos Them Crooked Vultures) e eis que nos chega outra obra às mãos, desta vez dos pomposos e megalómanos: Transatlantic!
Para quem não conhece, os Transatlantic são um projecto paralelo de quatro músicos de Rock Progressivo, cada um deles “um monstro” no seu instrumento e oriundos de bandas de respeito. Vejamos a lista de “celebridades”: temos aqui o baterista dos Dream Theater, Mike Portnoy; o guitarrista dos suecos Flower Kings, Ronnie Stolt; o baixista dos Marillion, Peter Trewavas e o ex-teclista e vocalista dos Spock´s Beard, o senhor Neil Morse. Todos eles estudantes da “velha escola Progressiva”.
“The Whirldwind” marca o regresso aos originais (o terceiro de longa duração) depois de uma pausa de sete anos, nos quais os músicos se dedicaram por completo ao seus “empregos diurnos”. Agora, aparecem com um álbum ainda mais ambicioso, composto por um único tema homónimo, dividido em 12 partes e que dura 77 simpáticos minutos cheios de pompa e circunstancia!
Sem ouvirmos uma nota, o grupo já ganhou pelo desafio que faz aos fãs do género Progressivo. Num mundo governado pelo “I Pod Shuffle”, quem é que aguenta 77 minutos seguidos numa só música, sem ter a tentação de carregar no botão? Sem dúvida que nem os fãs dos velhos Genesis ou Emerson, Lake & Palmer esperariam uma obra tão arrojada e longa. Ou até mesmo os Porcupine Tree que talvez detivessem o recorde numa só música (55 minutos) no seu último de estúdio – “The Incident”.
Recordes à parte, debrucemo-nos sobre o que é que está aqui em causa. Logo na abertura temos uma “Overture” que dura uns nove minutos, que alterna entre as habituais demonstrações de “poder de fogo” (vulgo “solos”) e uma ou outra vocalização assinada por Morse. Categorizar isto a isto de “canção” não é suficiente. Isto é puramente uma verdadeira odisseia musical! È como se o Fausto escrevesse todo o “Por Este Rio Acima” num só tema ou os The Who encaixassem o seu “Tommy” num só saco!
Um tema “gigantesco” destes não é para os ouvidos de toda a gente. Sobretudo se meter grandes improvisações jazzísticas à Frank Zappa (“On the Prowl”) ou à Yes (fase “Relayer”) como Evermore”, misturadas com temas mais épicos como a parte “The Wind Blew Them Away”. Mas também há espaço para algumas coisas interessantes como o quase semi-pop – “Out of the Night” – que isolado deste contexto quase poderia ser oferecido de bandeja às Rádios.
Um disco ambicioso , arriscado e que nos transporta por caminhos sónicos inesperados. O único reparo é que as 12 secções que o compõem deveriam ter sido isoladas em canções devidamente finalizadas, para poderem respirar melhor. De resto, não há nada a apontar. Quando estes “monstros” se reúnem há sempre um “Cabo das Tormentas por dobrar”...






