Quinta-feira, Novembro 12, 2009

TRANSATLANTIC – “THE WHIRLWIND” (INSIDE OUT – 2009)


Ainda esta semana falávamos de “super-grupos” (a propósito do novo disco dos Them Crooked Vultures) e eis que nos chega outra obra às mãos, desta vez dos pomposos e megalómanos: Transatlantic!
Para quem não conhece, os Transatlantic são um projecto paralelo de quatro músicos de Rock Progressivo, cada um deles “um monstro” no seu instrumento e oriundos de bandas de respeito. Vejamos a lista de “celebridades”: temos aqui o baterista dos Dream Theater, Mike Portnoy; o guitarrista dos suecos Flower Kings, Ronnie Stolt; o baixista dos Marillion, Peter Trewavas e o ex-teclista e vocalista dos Spock´s Beard, o senhor Neil Morse.  Todos eles estudantes da “velha escola Progressiva”.
“The Whirldwind” marca o regresso aos originais (o terceiro de longa duração) depois de uma pausa de sete anos, nos quais os músicos se dedicaram por completo ao seus “empregos diurnos”. Agora, aparecem com um álbum ainda mais ambicioso, composto por um único tema homónimo, dividido em 12 partes e que dura 77 simpáticos minutos cheios de pompa e circunstancia!
Sem ouvirmos uma nota, o grupo já ganhou pelo desafio que faz aos fãs do género Progressivo. Num mundo governado pelo “I Pod Shuffle”, quem é que aguenta 77 minutos seguidos numa só música, sem ter a tentação de carregar no botão? Sem dúvida que nem os fãs dos velhos Genesis ou Emerson, Lake & Palmer esperariam uma obra tão arrojada e longa. Ou até mesmo os Porcupine Tree que talvez detivessem o recorde numa só música (55 minutos) no seu último de estúdio – “The Incident”.
Recordes à parte, debrucemo-nos sobre o que é que está aqui em causa. Logo na abertura temos uma “Overture” que dura uns nove minutos, que alterna entre as habituais demonstrações de “poder de fogo” (vulgo “solos”) e uma ou outra vocalização assinada por Morse. Categorizar isto a isto de “canção” não é suficiente. Isto é puramente uma verdadeira odisseia musical! È como se o Fausto escrevesse todo o “Por Este Rio Acima” num só tema ou os The Who encaixassem o seu “Tommy” num só saco!
Um tema “gigantesco” destes não é para os ouvidos de toda a gente. Sobretudo se meter grandes improvisações jazzísticas à Frank Zappa (“On the Prowl”) ou à Yes (fase “Relayer”) como Evermore”, misturadas com temas mais épicos como a parte “The Wind Blew Them Away”. Mas também há espaço para algumas coisas interessantes como o quase semi-pop – “Out of the Night” – que isolado deste contexto quase poderia ser oferecido de bandeja às Rádios.
Um disco ambicioso , arriscado e que nos transporta por caminhos sónicos inesperados. O único reparo é que as 12 secções que o compõem  deveriam ter sido isoladas em canções devidamente finalizadas, para poderem respirar melhor. De resto, não há nada a apontar. Quando estes “monstros” se reúnem há sempre um “Cabo das Tormentas por dobrar”...

(7/10)

Quarta-feira, Novembro 11, 2009

ILUSTRES DESCONHECIDOS # 8: “NEKTAR”


No que toca à categoria de “ilustres desconhecidos” da história do Rock, os anos 70 são uma mina. Uma era musicalmente fértil, que viu nascer a maioria dos estilos que ainda hoje perduram, do Progressivo ao Punk, passando pelo Heavy Metal e a New Wave, há uma série de bandas que mereciam o seu “cantinho ao Sol”, mas quis o destino que nunca lá chegassem...
Hoje apresento-vos os “Nektar”, banda que muitos pensam ser de origem “Teutónica”, mas cujos os membros são todos Ingleses. O quarteto composto por Roye Albrighton (guitarra e voz), Allan “Taff” Freeman (teclados), Derek Moore (baixo) e Ron Howden (bateria) juntou-se em Hamburgo (daí a ligação alemã) em meados de 1969.
Nesse pródigo ano, que em poucos meses que viu o nascer (Woodstock) e o falecer da utopia hippie (Altamont), surgiram uma série de grupos que definiriam a década seguinte. Os Nektar foram atrás do Tsunami progressivo (liderado pelos Pink Floyd, Yes, King Crimson, Emerson, Lake & Palmer e Genesis) que varreu a Inglaterra, Europa e Estados Unidos, dando largas à imaginação para desenvolverem temas como a ficção cientifica, o surrealismo de Lewis Carroll, a mitologia nórdica aliados a uma forte atracção pela composição de raiz clássica e pelo sentido de improvisação do Jazz.
Com este espirito, o primeiro álbum – “Journey to the Centre of the Eye” (1971) – só podia ser uma obra conceptual, marcada ainda pelo psicadelismo espacial e sinfónico da época. Destaque para as faixas “Countenance”, “Nine Lifeless Daughters of the Sun” e “The Dream Nebula”, autênticas pérolas (perdidas) do Rock Progressivo, e onde o grupo demonstra bem as suas excelentes capacidades de óptimos instrumentistas.
Porém, o melhor ainda estava para vir, em 1972 surge “Tab in the Ocean”, um dos grandes clássicos do género Progressivo e que ainda hoje é reverenciado como sendo o melhor discos assinado pelos Nektar. Composto por 5 faixas, onde se destaca o tema homónimo (com 16 minutos de duração), a banda “desce” até às profundezas dos abismos, fazendo deste disco uma autêntica viagem por oceanos imaginários nunca dantes navegados. De realçar o tema “King of Twilight”, que anos mais tarde mereceu novo tratamento nas mãos dos Iron Maiden.
Apesar de dois excelentes discos de estúdio, o grupo não conseguia dar o salto. Eram bem recebidos no circuito underground inglês e alemão, mas pouco mais. Foi preciso chegarem a “Remember the Future” (1973), para finalmente verem um dos seus trabalhos chegar ao Top 20 dos dois lados do Atlântico.
Talvez este seja o ponto mais alto (ao nível do campo criativo) que “Albrighton e companhia” chegaram. Ambiciosos ao ponto de fazerem duas grandes suites (“Remember the Future I & II” que ocupavam cada um dos lados do vinil) , os Nektar atingem aqui uma supremacia e uma química sónica digna de qualquer gigante do género.
Pena que a sua carreira daqui para a frente tenha sido um pouco mais inconsequente. “Down to Earth” e “Recycled” editados entre 1974 e 1976 trouxeram mais algum sucesso comercial (especialmente nos Estados Unidos9, mas pouco acrescentariam ao “pedigree” atingido por discos anteriores. Com “Magic is the Child” (gravado sem Albrighton) editado no ano zero do Punk, (1977) o grupo viu-se encostados às cordas por uma nova geração que pouco queria mais que “anarquia”, Despejados num “gigantesco caixote do lixo musical” (que terminou com a carreira de tantas outras bandas apelidadas de “boring old farts”) os Nektar não foram capazes de se auto-reinventar para a década seguinte.
Em 1980, assinaram o seu último disco em 21 anos – “Man in the Moon” – que só viu a luz do “dia” na antiga R.F.A.!
No entanto, o tempo traz sempre a cura para todos os males (até um “Muro caiu”)! O novo milénio, viu os Nektar renascer das cinzas com um novo trabalho: “The Prodigal Son”! Um regresso à boa forma dos tempos áureos, numa altura em que o Progressivo volta a gozar de uma nova “luz” na ribalta, muito graças ao trabalho de nomes como Dream Theater, Opeth, Porcupine Tree, The Mars Volta, Muse, Radiohead ou Flaming Lips.
“À boleia” de um Presente” favorável, os Nektar carregam consigo 40 anos de história, definhando novas pistas sonoras para o futuro. Uma banda lendária...

Terça-feira, Novembro 10, 2009

THEM CROOKED VULTURES – “THEM CROOKED VULTURES” (SONY BMG, 2009)


Lá diz o ditado “quando a fartura é muita...o pobre desconfia”! Quando o Real Madrid compra galácticos, não faz deles a melhor equipa do mundo! Quando se forma um “super-grupo” de Rock...a crítica e os melómanos torcem sempre o nariz!
No entanto, esqueçam os receios do parágrafo acima. Os “Them Crooked Vulctures”, formado por Josh Homme (guitarrista e vocalista dos Queens of the Stone Age), Dave Grohl (mega estrela nos Foo Fighters mas aqui a desempenhar papel de baterista) e John Paul Jones (o baixista e teclista dos míticos “Deuses Led Zeppelin”) dão-nos um grande disco à altura dos acontecimentos.
Estamos presente um grande disco de Rock pesado, que faz lembrar obviamente os Led Zeppelin, mas a sua grandeza não se esgota por aí. Há aqui algo novo e diferente. Algo que respira em sintonia com os tempos actuais e que leva o (habitualmente) Hard Rock por caminhos sónicamente estimulantes.
Claro que o ponto de partida são sempre os riffs de Blues, mas os Them Crooked Vultures esticam-nos para outras direcções mais progressivas e psicadélicas. Contudo, soa tudo muito simples, como se os instrumentos todos e a voz estivessem no lugar e na hora certa. È o caso do tema de abertura “No One Love Me & Neither Do I”. Simples, eficaz e directo ao assunto.
Finalmente John Paul Jones encontra um “braço direito” (digno de um John Bonham) em Dave Grohl. A sua combinação é letal em “Mind Eraser, No Chaser”. Tem um groove muito “Houses of the Holy” misturado com as habituais melodias matadoras de Homme. Já o single “New Fang” é mais território dos Queens of the Stone Age com laivos alguns laivos Punk,  Pop e Rock. Um dos melhores momentos do disco.
Seguimos pelos pântanos do pesado “Dead End Friends” e do poderoso “Elephants”. Este último uma autêntica demonstração de poder das capacidades virtuosas deste novo “Power-Trio”!
O disco parece que vai em constante crescendo, até chegarmos a essa “bomba” chamada “Scumbag Blues”, que não é só o melhor tema deste disco, como já merece considerado  um dos clássicos do Rock desta década que finda. Que “Puta” de música. Aquele final è mesmo “Led Zeppelin das Arábias”.
Depois deste nirvana musical, o resto do disco não chega obviamente níveis tão altos de adrenalina, mas também há outros momentos interessantes como “Reptiles”e  “Caligulove”, com Homme altamente inspirado nas guitarras.
A encerrar aparece o gótico “Spinning the Daffodils”, com John Paul Jones ao piano para nos lembrar do tempo em que ele era uma das forças motoras dos Zeppelin. Uma obra quase perfeita de Rock e que certamente ainda vai a tempo de ser considerado um dos melhores de 2009, senão mesmo da década!

(9/10)

Segunda-feira, Novembro 09, 2009

BONJOVI – “THE CIRCLE” (MERCURY/ISLAND 2009)


Aí estão os dinossauros dos anos 80...outra vez! Depois de uma disco mais brando que misturava o Rock com a Country  - “Lost Highway” (2007) – os Bonjovi regressam a um som mais característico, que é basicamente um Rock musculado feito para o agrado das multidões de estádio. Pelo meio, lá vão metendo uma balada outra para terem o apoio da Rádio e o do público feminino que ainda se pasma cada vez que Jon Bonjovi (a caminhar para “cinquentão”) tira a camisola em palco!
Chamar a esta banda (nascida e criada em New Jersey) de “comercial” é demasiado redutor. Ao vivo continuam a ser uma máquina imparável de “Rock n Roll” e que demonstrou todo o seu esplendor na edição do ano passado do “Rock in Rio”. Em estúdio e falando mais concretamente deste novo “The Circle” não há aqui nada de especial, a não ser mais do mesmo. Mas também este grupo nunca foi um caso de inovação musical. O seu sucesso nos últimos 25 anos deve-se sobretudo a um grande de sentido de “showmanship” e ao esforço de uma dupla muito forte (Jon Bonjovi e Richie Sambora) em criar canções orelhudas e capazes de agradar a pessoas dos 7 aos 77.
O tema de abertura, o imediato e roqueiro “We Weren´t Born to Follow”, obedece a todos estes cânones e será certamente uma boa candidata a abrir os concertos da digressão que se avizinha e que poderá regressar ao Rock In Rio de 2010!
Já “When We Were Beautiful” (pontuado por uns coros “sha la sha la”) é descaradamente Pop, capaz de agradar a ao tal público que só conhece os Bonjovi pelas baladas. O melhor é mesmo é passar à frente e concentrarmo-nos em “Bullet”, um tema mais roqueiro e com as guitarras de Sambora a assumir um especial destaque. O mesmo se pode dizer de “Thorn in My Side” um tema muito à moda do conterrâneo Bruce Springsteen, do qual Jon Bonjovi copiou todos os maneirismos para ser uma “estrela Rock”.
Pior mesmo só ter que aturar as xaropadas habituais das baladas “Live Before You Die” ou “Fast Cars” que não conseguem chegar a um clímax assexuado como clássicos do passado: “Bed of Roses” ou “Always”. O final com “Learn to Love” também não faz milagres pela inspiração.
Um disco com sabor a “mais ou menos” ou “assim-assim” que em alguns (mas poucos) momentos ainda nos faz acreditar no poder roqueiro dos Bonjovi, mas que na maioria dos temas peca pela falta de originalidade e alguma pujança. Que venham as digressões deles, porque quanto aos capítulos em estúdio já não há um grande disco (nem paciência) desde “Keep the Faith” (em 1992).

(5/10)

Sexta-feira, Novembro 06, 2009

ANTÓNIO SÉRGIO - RIP (1950 - 2009)

Serás sempre lembrado...

DEVENDRA BANHART – “WHAT WILL WE BE” (WARNER, REPRISE, 2009)


Depois de um álbum decepcionante como foi “Smokey Rolls Down the Thunder Canyon”, o hippie “versão século XXI”,  Devendra Banhart está de volta com um novo trabalho que o repõe no bom caminho das canções de “jeito”
Embora não estejamos na presença de uma obra magnânima como “Cripple Crow” ou Rejoicing in the Hands”, este “What Will We Be” acaba por ser um disco bastante positivo, eclético e com algumas surpresas na manga.
Veja-se por exemplo o quase dançante "16th & Valencia, Roxy Music", que quase evoca o espirito da antiga banda de Bryan Ferry misturado com algumas pontas do último dos Franz Ferdinand. Ou “Rats” que parece uns Led Zeppelin em versão de marcha lenta e com Jim Morisson a substituir Robert Plant na voz.
Mas Banhart sabe daquilo que os seus fãs verdadeiramente gostam e dá-lhes mais daqueles rebuçados com sabor a “Folk Psicadélico” como “Cant´ Help But Smiling” ou “Angelika”. Canções simples e imediatas para pessoas complexas e distantes.
Já a orelhuda “Baby” facilmente seria um êxito radiofónico se os programadores de “Playlists” lhe pegassem (a sério). Este é, chamemo-lhe assim “o lado descomprometido” de Banhart
Depois há uma faceta mais aplicada e que exige mais atenção. “Goin Back” revela ser uma boa canção na tradição de um Neil Young ou Bob Dylan. “First Song for B” e “Last Song for B” têm um carácter mais introspectivo e sentimental. Com o Inverno à porta não será difícil de absorver “o espírito frio” destes temas.
Também não podiam faltar os temas em Castelhano. Cá estão “Maria Lionza” e “Brindo” (com algumas influências de Fleet Foxes) para fazer as honras.
Já o título de melhor canção fica reservada para a delicada “Meet Me at the Lookout”, com Banhart à guitarra acústica e acompanhado de uns coros fantasmagóricos. Muito sensível, mesmo para os fãs do “surfista” Jack Johnson!
O reggae esquizóide de "Foolin'" (que será muito do agrado do público “Freak”) encerra as actividades de um disco que não é a melhor coisa que ele já fez, mas também não fica muitos pontos atrás do resto da sua carreira. Devendra Banhart ainda tem um longo caminho por percorrer e esta é sem dúvida uma “nova porta” para a consagração de um dos talentos mais “excêntricos” e originais  da actualidade.

(7/10)

Quinta-feira, Novembro 05, 2009

FLAMING LIPS – “EMBRYONIC” (WARNER, 2009)


Se há bandas do “outro mundo”, os Flaming Lips podem ser um sério caso de extraterrestres disfarçados de humanos, o que revela a probabilidade de estarmos na presença de um encontro imediato de “Rock de Terceiro Grau”!
Claro que isto que eu estou para aqui a parafrasear é tudo uma grande treta. Mas lá que este novo disco da banda liderada por Wayne Coyne é no mínimo “Surrealista”...ah lá isso ninguém lhes pode negar ou tirar.
Munidos de um espirito bastante “Progressivo”, os Flaming Lips mergulham novamente na sua “cruzada inter-galáctica” (patente em discos anteriores como “At War With The Mystics” e “Yoshimi Battles the Pink Robots”) percorrendo através das suas guitarradas cósmicas, sintetizadores celestiais e loops de bateria hipnóticos uma viagem sónica, que decididamente não é para a maioria dos ouvidos terráqueos.
Lançado em formato de disco duplo, “Embryonic” é talvez dos discos mais aventureiros desta década, na qual se vislumbra que o grupo Oklahoma está-se “nas tintas” para o criticismo e só faz aquilo que lhe dá na “real gana”.
O alucinado “Convinced of the Hex” que dá origem ao disco, soa a uns Radiohead fechados a tocar numa garagem sem luz, o que resulta num tema bastante claustrofóbico de se escutar. Segue-se o cósmico “The Sparrow Looks Up at the Machine” que tem qualquer coisa ali de Syd Barrett. Mas se há momentos mais obscuros, esquizofrénicos e infernais como “Aquarius Sabotage” ou “See the Leaves”, também cabem aqui momentos lúcidos e calmos como “Evil” ou “If” que há medida que se ouvem soam cada vez mais a uns Pink Floyd  da fase experimental de 1968 a 1972!
Aliás os “Floydismos” estão patentes em todo o lado, não é difícil imaginar se David Gilmour vocalizasse o gentil e espacial “Gemini Syringes”. Uma verdadeira banda sonora sideral complementada pelos comentários metafísicos do matemático alemão, o Dr, Thorsten Wormann!
Mas o caminho também os seus “becos sem saída” e que obrigam a uma marcha a ré na embarcação. Talvez o momento menos interessante seja “Your Bats” pontuado por um bateria desgovernada e não os leva a lado nenhum. Felizmente, as coisas retomam o seu rumo em “Powerless”, que fecha a primeira parte da navegação.
Após um curto interlúdio, para a mudança de CD, mais meia hora de “Freakalhada” começando no muito alternativo “The Ego´s Last Stand”. De facto, este sentimento de estranheza (dignas de um Barrett, de um Rocky Ericsson ou até mesmo de um Julian Cope) domina este “lado”. “I Can Be a Frog”, com as contribuições vocais de Karen O dos “Yeah Yeah Yeahs” (gravada ao telefone por Coyne) parece que vislumbram um universo paralelo em que nada parece o que é.
“Sagittarius Silver Announcement" e “Worm Mountain” (com a participação do duo electrónico “MGTM”) aprofundam ainda a consciência de que estamos cada vez mais a anos de luz do nosso planeta. Fechem os olhos e quase que conseguem ver as estrelas em temas como “The Impulse” e “Virgo Self-Esteem Broadcast”!
O crepúsculo de “Watching the Planets” anuncia o fim desta “saga” em nota alta. Chagamos finalmente à “Terra” cansados, mas deslumbrados Discos como este não foram feitos para ouvir todos os dias e a todas horas. Mas quando chega a hora de os “absorver cá para dentro”, “Embryonic” é das experiências mais intensas que se pode ter “fora deste mundo tridimensional”. Simplesmente, de tirar o fôlego...

(8/10)

Quarta-feira, Novembro 04, 2009

WOLFMOTHER – “COSMIC EGG” (MODULAR, 2009)


No negócio da música contém uma verdade imutável que diz “tens a vida inteira para escreveres o teu primeiro disco...mas quando chegas ao segundo, as pressões para igualar o sucesso do anterior são enormes!”
Quatro anos depois de terem largado “a bomba” que foi o seu disco de estreia, os australianos Wolfmother voltam à carga com este “Cosmic Egg”. Um novo registo que apresenta uma nova atitude e uma nova formação. Do line up original só resta mesmo o guitarrista/vocalista, Andrew Stockdale que governa a seu bel-prazer estes “monstros do Hard Rock made in Século XXI”.
No meio de tantas novidades, “velhas” só continuam as influências que assolam este quarteto de Sydney. Cá estão representados os riffs pesados dos Led Zeppelin, a atitude provocadora de uns Stones ou os solos histriónicos de uns AC/DC. Ou seja, este “Cosmic Egg” é viagem garantida até à Era em que os “dinossauros” governavam o “Planeta Rock”.
No entanto, penso que podemos dividir este disco em duas partes distintas, uma menos boa e outra já caminho da excelência que nos habituámos a ouvir deles.
Comecemos pelo pior. Nas primeiras quatro músicas os Wolfmother desperdiçam várias oportunidades para marcar golo, ficando o resultado muito aquém das expectativas.
Veja-se por exemplo, o tema de abertura - “California Queen” –- com uma entrada à Guns n Roses misturada com a aspereza de uns Black Sabbath. Muito pouco ou nada original.
O mesmo se aplica ao “sempre à abrir” “New Moon Rising”, o primeiro single extraído deste álbum. Parece que o verdadeiro problema destas canções é estarem colocadas (neste sempre difícil) segundo disco. Nota-se que os Wolfmother fizeram um esforço para não caírem na “armadilha do costume”, mas falta algum fôlego para elevar “Cosmic Egg” ao estatuto do brilhantismo do disco de estreia.
O funky “White Feather” ainda tenta dar alguma frescura ao disco mas o caldo começa definitivamente a entornar com “Sundial”. Uma canção que soa a tantas outras editadas por milhares de bandas que tiveram os Black Sabbath como referência.
O melhor mesmo é esquecer o que se ouviu até aqui e transitar directamente para “In the Morning uma canção imbuída de um espirito muito “Beatles 1969” e onde se nota algum esforço para aprender a compor fora do cânone “Sabs-Purps-Zeps”!
“10,000 Feet” já é uma piscadela aos contemporâneos Black Mountain. Uma canção poderosa e que deverá resultar muito bem ao vivo. O homónimo “Cosmic Egg” vai pela mesma onda, com um riff à “Queens of the Stone Age” e que deverá agradar aos fãs do Stoner-Rock.
Daqui até ao fim, os Wolfmother” parece que beberam “Red Bull” ganhando definitivamente “as asas” na balada “Far Away” poderá funcionar como um hit se a lançarem como single. “Pilgrim” arranca toda a gente para o mosh”. “In the Castle” tem cheiro a Rock Psicadélico com roupagens com alguns laivos de originalidade. Em “Phoenix” reinventam-se com banda de rock alternativo (só para desenjoar).
Para o final, um tema épico chamado “Violence of the Sun”. Com os Beatles em pano de fundo, (os meninos devem ter andado a ouvir as últimas reedições do cátalogo dos “Fab”) Stockdale e companhia conseguem finalmente dar a volta ao marcador.
Feitas as contas,salda-se uma vitória que embora não se traduza num disco tão refrescante como o de estreia, acabam por se safar muito bem. Ultrapassado este “estigma do segundo disco”, os Wolfmother vão certamente continuar a somar triunfos prevendo-se que lá para o ano 2030 eles sejam considerados aquilo que eles tanto almejam: uns verdadeiros dinossauros do Rock!

(7/10)