Os Alice in Chains estão de volta e com um grande disco! Este "Check My Brain" é talvez das melhores músicas publicadas em 2009...
Sexta-feira, Novembro 20, 2009
Quinta-feira, Novembro 19, 2009
DISCOS VOADORES # 27 : APHRODITE´S CHILD – “666” (VERTIGO, 1972)
Dizia eu que sabia tudo sobre os grupos (pelo menos dos que importam para a História) dos anos 70! “Wrong”! E a prova cabal disso mesmo é este fabuloso disco dos gregos “Aphrodite´s Child”, que chegou aos meus ouvidos há relativamente poucos meses, de seu nome: “666”! Por favor! Nada de alusões ou confusões com esse clássico do metal “The Number of the Beast” dos Iron Maiden.! Obrigado!
Para quem não sabe os “Aprodite´s Child”, eram compostos por Vangelis Papathanassiou (teclados); Demis Roussos (baixo, guitarra e voz); Loukas Sideras (bateria e voz) e Anargyros “Silver” Koulouris (guitarra).
Há algo aqui que vos chame particularmente à atenção? È isso mesmo. O Demis Roussos antes de ser o “Demis Roussos” da pop “chunga” e peneirenta era um músico com ambições sérias e com uma voz que (curiosamente) assentava na perfeição neste Rock Progressivo “Helénico” que tratava “de igual para igual” com as bandas britânicas mais conhecidas do género (ELP; Yes, Genesis...enfim: os “suspeitos do costume”).
“666” foi o terceiro e derradeiro disco do grupo, gravado em Londres (a “Meca do Progressivo”) e completado em circunstâncias particularmente difíceis dada as guerras internas do grupo: à beira do colapso. No entanto, e vinte milhões de disco vendidos depois acaba por soar (ainda) muitíssimo bem aos ouvidos de uma nova geração que está agora a descobrir as maravilhas do “Prog-Rock”.
Baseado no Bíblico “Livro das “Revelações”, o grupo guiado por Vangelis (que supervisionou com “mão de ferro” as sessões de gravação que duraram quase dois anos a completar), gravou um dos discos mais ambiciosos e majestáticos da História do Rock! Com textos do escritor Costa- Ferris, o conceito original da peça era: um concerto numa tenda de circo enquanto lá fora e ao mesmo tempo começava o Apocalipse (se já foram ver o “2012” dá para ter uma ideia).
Se “666” fosse o último espectáculo a ser encenado à face da Terra, não era uma maneira de ir “desta para melhor”. Após um curto e introdutório cântico que faz lembrar um pouco o musical “Hair” (“The System”), surge “Babylon” uma espécie de “Beatles encontram o Jesus Christ Superstar”. Tudo muito idílico...mesmo quando aparece uma jovem actriz chamada Irene Papas (outro momento de revelação) a declamar um poema sobre o “Fim dos Dias”!
Mas as coisas só começam mesmo a aquecer em “The Four Horsemen”, um grande tema (perdido) dos anos 70. Segue-se “The Lamb” e “The Seventh Seal” com Vangelis a demonstrar “o porquê” de ter sido uma forte opção ao lugar de teclista dos Yes quando Rick Wakeman saiu em 1974. Ele literalmente é aqui o “carregador de Piano” que puxa a banda para outros rumos mais “progressivos”.
Com “Aegian Sea” a banda faz-nos viajar por ambientes mais Floydianos (da fase aquática de “Meddle”). Já “The Marching Beast” entra por território dos Emerson, Lake & Palmer.
Mas há muito mais por explorar neste universo musical, se quisermos analisar todas influências presentes. Peguemos no som furioso do jazz rock (“The Battle of Locust e “Do it”); no humor de Zappa (com “The Beast” ou “Ofis”) ou até mesmo na Pop simplistica (em “Break”) .
Há aqui bastantes opções para se considerar “666” uma obra prima que deverá ser revisitada ou novamente descoberta por todos os melómanos deste mundo! E claro, há sempre aquele bónus de se gritar a frase que nenhum de nós pensaria alguma vez exclamar na vida: “DEMIS ROUSSOS ROCKS”!!
(10/10)
Terça-feira, Novembro 17, 2009
STEVE VAI – “WHERE THE WILD THINGS ARE” (CD/DVD - FAVORED NATIONS, 2009)
Depois de há dois anos nos ter dado aulas sobre as suas “Sound Theories”, o “Professor” Vai regressa às edições ao vivo com este “Where the Wild Things Are”. Registo que também conhece edição no formato DVD e Blu-Ray, foi gravado no “State Theatre” de Minneapolis em 2007.
Para quem não é aficcionado do género instrumental, com solos de guitarra orgásmicos a “1000 à hora”, este não é um bom sítio para se começar a gostar da obra de Steve Vai. No entanto, para quem já conhece os “cantos à casa”, “Where the Wild Things Are” tem quase uma hora e meia daquele som “wah-wah” do qual Vai usa e abusa e que todos os fãs de guitarra se habituaram a venerar desde que ele publicou “Passion & Warfare”, já lá vão quase 20 anos!
Parece mentira, mas muito tempo passou desde que “Little” Steve Vai começou na estrada: primeiro como segundo guitarrista do mestre Frank Zappa (1980 – 1981); depois com a obscura banda de heavy metal Alcatrazz (1983 –1984); seguido de períodos mais comerciais com David Lee Roth (1986 – 1988) e com os Whitesnake (1989 – 1990).
Com um “C/V” notável nos anos 80, Vai conquistou o “mundo da guitarra” nos anos 90 com discos como “Passion & Warfare”; “Fire Garden” ou “Alien Love Secrets”. No entanto com a entrada no novo “milénio” a sua carreira tem andado um pouco à deriva. Já há algum tempo que não se ouve um disco com “pés e cabeça” da sua autoria sem que tudo descambe numa interrupta “Jam session” em que Vai e os seus músicos (todos eles brilhantes) nos acabam por esgotar a paciência de tanta demonstração de virtuosismo. A melhor prova disto è a faixa “Freak Show Excess” com 11 longos e demasiados minutos. O nome diz tudo...
Apesar de conter quatro músicas inéditas (“Paint Me Your Face”; “Gary 7”; “Treasure Island” e “Par Brahm”) não há muito por onde pegar aqui. Deixa de fazer sentido de falarmos em “canções” propriamente ditas, passando a designá-las de: “Orgasmos Sonoros”! Sendo estes meras desculpas para solar até à exaustão.
A única excepção vai para “All About Eve”, uma grande “canção” (que deveria ter dado a Vai uma carreira mais diversificada) e que aqui tem as honras de um delicado solo de violino. Só para desenjoar...
Melhor mesmo é ver o DVD que tem mais uma hora de duração que o registo áudio. Aí está contido todos os “condimentos” que fizeram da carreira de Vai um sucesso: o hilariante “The Audience is Listening”; o épico “For the Love of God” ou grandioso “Liberty”.
E garanto-vos que sempre há um pouco mais de paciência para “ver” os dedos rápidos de Steve a mexer do que levar com a estopada de só o ouvir em CD. Esperemos por dias melhores. Este disoc é só mesmo para quem tem paciência de ouvir solos intermináveis que nem o saudoso provocador Mestre Zappa se lembraria de fazer só para nos irritar...
(5/10)
Depois de há dois anos nos ter dado aulas sobre as suas “Sound Theories”, o “Professor” Vai regressa às edições ao vivo com este “Where the Wild Things Are”. Registo que também conhece edição no formato DVD e Blu-Ray, foi gravado no “State Theatre” de Minneapolis em 2007.
Para quem não é aficcionado do género instrumental, com solos de guitarra orgásmicos a “1000 à hora”, este não é um bom sítio para se começar a gostar da obra de Steve Vai. No entanto, para quem já conhece os “cantos à casa”, “Where the Wild Things Are” tem quase uma hora e meia daquele som “wah-wah” do qual Vai usa e abusa e que todos os fãs de guitarra se habituaram a venerar desde que ele publicou “Passion & Warfare”, já lá vão quase 20 anos!
Parece mentira, mas muito tempo passou desde que “Little” Steve Vai começou na estrada: primeiro como segundo guitarrista do mestre Frank Zappa (1980 – 1981); depois com a obscura banda de heavy metal Alcatrazz (1983 –1984); seguido de períodos mais comerciais com David Lee Roth (1986 – 1988) e com os Whitesnake (1989 – 1990).
Com um “C/V” notável nos anos 80, Vai conquistou o “mundo da guitarra” nos anos 90 com discos como “Passion & Warfare”; “Fire Garden” ou “Alien Love Secrets”. No entanto com a entrada no novo “milénio” a sua carreira tem andado um pouco à deriva. Já há algum tempo que não se ouve um disco com “pés e cabeça” da sua autoria sem que tudo descambe numa interrupta “Jam session” em que Vai e os seus músicos (todos eles brilhantes) nos acabam por esgotar a paciência de tanta demonstração de virtuosismo. A melhor prova disto è a faixa “Freak Show Excess” com 11 longos e demasiados minutos. O nome diz tudo...
Apesar de conter quatro músicas inéditas (“Paint Me Your Face”; “Gary 7”; “Treasure Island” e “Par Brahm”) não há muito por onde pegar aqui. Deixa de fazer sentido de falarmos em “canções” propriamente ditas, passando a designá-las de: “Orgasmos Sonoros”! Sendo estes meras desculpas para solar até à exaustão.
A única excepção vai para “All About Eve”, uma grande “canção” (que deveria ter dado a Vai uma carreira mais diversificada) e que aqui tem as honras de um delicado solo de violino. Só para desenjoar...
Melhor mesmo é ver o DVD que tem mais uma hora de duração que o registo áudio. Aí está contido todos os “condimentos” que fizeram da carreira de Vai um sucesso: o hilariante “The Audience is Listening”; o épico “For the Love of God” ou grandioso “Liberty”.
E garanto-vos que sempre há um pouco mais de paciência para “ver” os dedos rápidos de Steve a mexer do que levar com a estopada de só o ouvir em CD. Esperemos por dias melhores. Este disoc é só mesmo para quem tem paciência de ouvir solos intermináveis que nem o saudoso provocador Mestre Zappa se lembraria de fazer só para nos irritar...
(5/10)
Sexta-feira, Novembro 13, 2009
DISCOS VOADORES # 26 : JULIAN COPE – “PEGGY SUICIDE” (ISLAND RECORDS, 1991)
Provido de um sentido de alienação digno de um Syd Barrett, “rebelde sem causa” como um Roky Erikson e munido de um espírito “rock n roller” como um Iggy Pop, podemos considerar Julian Cope um génio musical que sempre viveu à margem do sistema!
Depois de uma curta, mas bem sucedida carreira com os Teardrop Explodes (grupo de vanguarda neo-psicadélico de Liverpool), Cope entregou-se a um destino a solo para explorar outros recantos e os becos musicais em álbuns como “World Shut Your Mouth” ou “Saint Julian”. Boas “promessas”, mas que não passavam disso mesmo...
Só em 1991 e com “Peggy Suicide”, que ele finalmente consegue fazer um grande disco! Talvez “o melhor” da sua extensa obra, “Peggy” é quase (acidentalmente) um álbum conceptual onde o autor analisa os medos e as angústias vividas durante o final da “era Thatchter”.
No meio da confusão causada pelos motins contra a “maligna “Pool Tax”(uma tentativa da primeira ministra em 1989 obrigar cada habitante a custear os governos locais e que resultou em fortes manifestações por todo o Reino Unido - Cope esteve na linha da frente dedicou-lhe um tema: “Leperskin”) o disco é também usado uma espécie de manifesto para a abordagem de temas quentes como: a destruição do ambiente; os direitos das mulheres; o paganismo, o oculto, a guerra do Iraque, etc!
Com esta analogia do “suicido” (que no fundo representa o Planeta) em pano fundo, Cope escreveu temas muito simples e coesos onde podem coabitar vários universos musicais com ecos do Hard dos Led Zeppelin e Jimi Hendrix (“Double Vegetation”); Punk (“Hanging Out and Hung Up on the Line”); o Psicadelismo de uns 13th Floor Elevators (“Soldier Blue”) e a Pop de uns Beach Boys em versão ácida (os semi-comerciais “Beautiful Love” ou “If You Love Me at All”).
Há também aqui espaço para alguns momentos mais introspectivos como a solitária “Pristeen” ou a bela canção que Ian Curtis nunca escreveu: “Promised Land”. Mas os dois temas chave são sem dúvida esse grande tema de “estrada”, “East Easy Rider” e o longo e “floydiano” “Safesurfer”, onde Cope e o seu guitarrista Donald Skinner demonstram o que é o “poder” de um bom solo em pedal “wah-wah”.
Mas a genialidade também se demonstra em outras pequenas canções como o jazzístico “You” que antecipa o “som Morphine” uns anos antes e o alienígena “Hung Up and Hanging Out to Dry que na altura estava em perfeita sintonia com os sons vindos de “Madchester” (Stones Roses; Happy Mondays, etc).
A fechar, “Las Vegas Basement”, mais uma dos seus temas, mas pelo menos mais optimista que a inicial “Pristeen”.
Apesar de temáticamente ser muito centrado na época em nasceu, “Peggy Sucide” conviveu bem com o passar dos anos. Nunca teve um grande sucesso comercial, nem elevou a careira de Cope a um nível mais mediático, mas essa também nunca foi ambição do seu autor. A prova disso mesmo é que o próprio Julian passou a editar em selos independentes e com discos cada vez mais dispersos e voltados para uma inacessibilidade que é típica de quem se dedica a um género difícil como o kraut-rock.
Mas se nunca tivesse feito mais nada desde 1991, a viagem “Peggy Sucide” já era suficiente para escrever o nome de Julian Cope na lista dos álbuns essenciais da década de 90.
Quinta-feira, Novembro 12, 2009
TRANSATLANTIC – “THE WHIRLWIND” (INSIDE OUT – 2009)
Ainda esta semana falávamos de “super-grupos” (a propósito do novo disco dos Them Crooked Vultures) e eis que nos chega outra obra às mãos, desta vez dos pomposos e megalómanos: Transatlantic!
Para quem não conhece, os Transatlantic são um projecto paralelo de quatro músicos de Rock Progressivo, cada um deles “um monstro” no seu instrumento e oriundos de bandas de respeito. Vejamos a lista de “celebridades”: temos aqui o baterista dos Dream Theater, Mike Portnoy; o guitarrista dos suecos Flower Kings, Ronnie Stolt; o baixista dos Marillion, Peter Trewavas e o ex-teclista e vocalista dos Spock´s Beard, o senhor Neil Morse. Todos eles estudantes da “velha escola Progressiva”.
“The Whirldwind” marca o regresso aos originais (o terceiro de longa duração) depois de uma pausa de sete anos, nos quais os músicos se dedicaram por completo ao seus “empregos diurnos”. Agora, aparecem com um álbum ainda mais ambicioso, composto por um único tema homónimo, dividido em 12 partes e que dura 77 simpáticos minutos cheios de pompa e circunstancia!
Sem ouvirmos uma nota, o grupo já ganhou pelo desafio que faz aos fãs do género Progressivo. Num mundo governado pelo “I Pod Shuffle”, quem é que aguenta 77 minutos seguidos numa só música, sem ter a tentação de carregar no botão? Sem dúvida que nem os fãs dos velhos Genesis ou Emerson, Lake & Palmer esperariam uma obra tão arrojada e longa. Ou até mesmo os Porcupine Tree que talvez detivessem o recorde numa só música (55 minutos) no seu último de estúdio – “The Incident”.
Recordes à parte, debrucemo-nos sobre o que é que está aqui em causa. Logo na abertura temos uma “Overture” que dura uns nove minutos, que alterna entre as habituais demonstrações de “poder de fogo” (vulgo “solos”) e uma ou outra vocalização assinada por Morse. Categorizar isto a isto de “canção” não é suficiente. Isto é puramente uma verdadeira odisseia musical! È como se o Fausto escrevesse todo o “Por Este Rio Acima” num só tema ou os The Who encaixassem o seu “Tommy” num só saco!
Um tema “gigantesco” destes não é para os ouvidos de toda a gente. Sobretudo se meter grandes improvisações jazzísticas à Frank Zappa (“On the Prowl”) ou à Yes (fase “Relayer”) como Evermore”, misturadas com temas mais épicos como a parte “The Wind Blew Them Away”. Mas também há espaço para algumas coisas interessantes como o quase semi-pop – “Out of the Night” – que isolado deste contexto quase poderia ser oferecido de bandeja às Rádios.
Um disco ambicioso , arriscado e que nos transporta por caminhos sónicos inesperados. O único reparo é que as 12 secções que o compõem deveriam ter sido isoladas em canções devidamente finalizadas, para poderem respirar melhor. De resto, não há nada a apontar. Quando estes “monstros” se reúnem há sempre um “Cabo das Tormentas por dobrar”...
Quarta-feira, Novembro 11, 2009
ILUSTRES DESCONHECIDOS # 8: “NEKTAR”
No que toca à categoria de “ilustres desconhecidos” da história do Rock, os anos 70 são uma mina. Uma era musicalmente fértil, que viu nascer a maioria dos estilos que ainda hoje perduram, do Progressivo ao Punk, passando pelo Heavy Metal e a New Wave, há uma série de bandas que mereciam o seu “cantinho ao Sol”, mas quis o destino que nunca lá chegassem...
Hoje apresento-vos os “Nektar”, banda que muitos pensam ser de origem “Teutónica”, mas cujos os membros são todos Ingleses. O quarteto composto por Roye Albrighton (guitarra e voz), Allan “Taff” Freeman (teclados), Derek Moore (baixo) e Ron Howden (bateria) juntou-se em Hamburgo (daí a ligação alemã) em meados de 1969.
Nesse pródigo ano, que em poucos meses que viu o nascer (Woodstock) e o falecer da utopia hippie (Altamont), surgiram uma série de grupos que definiriam a década seguinte. Os Nektar foram atrás do Tsunami progressivo (liderado pelos Pink Floyd, Yes, King Crimson, Emerson, Lake & Palmer e Genesis) que varreu a Inglaterra, Europa e Estados Unidos, dando largas à imaginação para desenvolverem temas como a ficção cientifica, o surrealismo de Lewis Carroll, a mitologia nórdica aliados a uma forte atracção pela composição de raiz clássica e pelo sentido de improvisação do Jazz.
Com este espirito, o primeiro álbum – “Journey to the Centre of the Eye” (1971) – só podia ser uma obra conceptual, marcada ainda pelo psicadelismo espacial e sinfónico da época. Destaque para as faixas “Countenance”, “Nine Lifeless Daughters of the Sun” e “The Dream Nebula”, autênticas pérolas (perdidas) do Rock Progressivo, e onde o grupo demonstra bem as suas excelentes capacidades de óptimos instrumentistas.
Porém, o melhor ainda estava para vir, em 1972 surge “Tab in the Ocean”, um dos grandes clássicos do género Progressivo e que ainda hoje é reverenciado como sendo o melhor discos assinado pelos Nektar. Composto por 5 faixas, onde se destaca o tema homónimo (com 16 minutos de duração), a banda “desce” até às profundezas dos abismos, fazendo deste disco uma autêntica viagem por oceanos imaginários nunca dantes navegados. De realçar o tema “King of Twilight”, que anos mais tarde mereceu novo tratamento nas mãos dos Iron Maiden.
Apesar de dois excelentes discos de estúdio, o grupo não conseguia dar o salto. Eram bem recebidos no circuito underground inglês e alemão, mas pouco mais. Foi preciso chegarem a “Remember the Future” (1973), para finalmente verem um dos seus trabalhos chegar ao Top 20 dos dois lados do Atlântico.
Talvez este seja o ponto mais alto (ao nível do campo criativo) que “Albrighton e companhia” chegaram. Ambiciosos ao ponto de fazerem duas grandes suites (“Remember the Future I & II” que ocupavam cada um dos lados do vinil) , os Nektar atingem aqui uma supremacia e uma química sónica digna de qualquer gigante do género.
Pena que a sua carreira daqui para a frente tenha sido um pouco mais inconsequente. “Down to Earth” e “Recycled” editados entre 1974 e 1976 trouxeram mais algum sucesso comercial (especialmente nos Estados Unidos9, mas pouco acrescentariam ao “pedigree” atingido por discos anteriores. Com “Magic is the Child” (gravado sem Albrighton) editado no ano zero do Punk, (1977) o grupo viu-se encostados às cordas por uma nova geração que pouco queria mais que “anarquia”, Despejados num “gigantesco caixote do lixo musical” (que terminou com a carreira de tantas outras bandas apelidadas de “boring old farts”) os Nektar não foram capazes de se auto-reinventar para a década seguinte.
Em 1980, assinaram o seu último disco em 21 anos – “Man in the Moon” – que só viu a luz do “dia” na antiga R.F.A.!
No entanto, o tempo traz sempre a cura para todos os males (até um “Muro caiu”)! O novo milénio, viu os Nektar renascer das cinzas com um novo trabalho: “The Prodigal Son”! Um regresso à boa forma dos tempos áureos, numa altura em que o Progressivo volta a gozar de uma nova “luz” na ribalta, muito graças ao trabalho de nomes como Dream Theater, Opeth, Porcupine Tree, The Mars Volta, Muse, Radiohead ou Flaming Lips.
“À boleia” de um Presente” favorável, os Nektar carregam consigo 40 anos de história, definhando novas pistas sonoras para o futuro. Uma banda lendária...Terça-feira, Novembro 10, 2009
THEM CROOKED VULTURES – “THEM CROOKED VULTURES” (SONY BMG, 2009)
Lá diz o ditado “quando a fartura é muita...o pobre desconfia”! Quando o Real Madrid compra galácticos, não faz deles a melhor equipa do mundo! Quando se forma um “super-grupo” de Rock...a crítica e os melómanos torcem sempre o nariz!
No entanto, esqueçam os receios do parágrafo acima. Os “Them Crooked Vulctures”, formado por Josh Homme (guitarrista e vocalista dos Queens of the Stone Age), Dave Grohl (mega estrela nos Foo Fighters mas aqui a desempenhar papel de baterista) e John Paul Jones (o baixista e teclista dos míticos “Deuses Led Zeppelin”) dão-nos um grande disco à altura dos acontecimentos.
Estamos presente um grande disco de Rock pesado, que faz lembrar obviamente os Led Zeppelin, mas a sua grandeza não se esgota por aí. Há aqui algo novo e diferente. Algo que respira em sintonia com os tempos actuais e que leva o (habitualmente) Hard Rock por caminhos sónicamente estimulantes.
Claro que o ponto de partida são sempre os riffs de Blues, mas os Them Crooked Vultures esticam-nos para outras direcções mais progressivas e psicadélicas. Contudo, soa tudo muito simples, como se os instrumentos todos e a voz estivessem no lugar e na hora certa. È o caso do tema de abertura “No One Love Me & Neither Do I”. Simples, eficaz e directo ao assunto.
Finalmente John Paul Jones encontra um “braço direito” (digno de um John Bonham) em Dave Grohl. A sua combinação é letal em “Mind Eraser, No Chaser”. Tem um groove muito “Houses of the Holy” misturado com as habituais melodias matadoras de Homme. Já o single “New Fang” é mais território dos Queens of the Stone Age com laivos alguns laivos Punk, Pop e Rock. Um dos melhores momentos do disco.
Seguimos pelos pântanos do pesado “Dead End Friends” e do poderoso “Elephants”. Este último uma autêntica demonstração de poder das capacidades virtuosas deste novo “Power-Trio”!
O disco parece que vai em constante crescendo, até chegarmos a essa “bomba” chamada “Scumbag Blues”, que não é só o melhor tema deste disco, como já merece considerado um dos clássicos do Rock desta década que finda. Que “Puta” de música. Aquele final è mesmo “Led Zeppelin das Arábias”.
Depois deste nirvana musical, o resto do disco não chega obviamente níveis tão altos de adrenalina, mas também há outros momentos interessantes como “Reptiles”e “Caligulove”, com Homme altamente inspirado nas guitarras.
A encerrar aparece o gótico “Spinning the Daffodils”, com John Paul Jones ao piano para nos lembrar do tempo em que ele era uma das forças motoras dos Zeppelin. Uma obra quase perfeita de Rock e que certamente ainda vai a tempo de ser considerado um dos melhores de 2009, senão mesmo da década!
(9/10)
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